MÚSICA PARA OUVIR, PARA CANTAR, PARA AMAR, PARA CURAR…

Um bate-papo descontraído com a Dra Eliseth Leão nos mostra os incríveis benefícios da música para pessoas de todas as idades e condições de saúde.

Quem nunca se sentiu melhor após ouvir uma música que traz boas recordações ou sorriu ao escutar uma melodia que lembra uma pessoa querida? Da mesma forma, não é incomum se emocionar com músicas que remetam a momentos difíceis ou de grande carga emocional.

Com tanta influência em nossa vida e a capacidade de mudar nosso humor em instantes, não é de se admirar que pesquisadores do mundo todo busquem formas de usar a música para promover o bem-estar das pessoas, independente do quadro de saúde que apresentam.

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Conversamos com uma das maiores especialistas no assunto no Brasil, a pesquisadora Drª. Eliseth Leão, para entender um pouco melhor o que a música oferece. Eliseth expõe, em um ping pong com o Blog da Acallanto, os principais temas que circundam os benefícios da música em nossas vidas, confira!

NÓS, SERES MUSICAIS

Sim, todo mundo é capaz de ouvir e produzir música. Não tenha vergonha de sua voz ou de seu jeito desengonçado de tocar bongo. Segundo a Dra. Eliseth Leão, “todo ser humano já nasce pronto para a música, toda música se apresenta como um convite ao corpo e altera nossa percepção de mundo, basta analisar que há expressão sonora em todas as culturas”

 

SOMOS TODOS PARECIDOS, AINDA QUE ÚNICOS

A Drª Eliseth acredita que, mesmo com todas as peculiaridades e nuances individuais, de um modo geral, uma música tem efeitos semelhantes em todas as pessoas que a escutam. Claro que, para isso acontecer, é preciso que cada um ouça atentamente a canção, sem deixar o preconceito musical atrapalhar. “Nem sempre a música que a gente mais gosta é que vai trazer mais benefício, é preciso se permitir experimentar”, comenta.

 

VIVER O PRESENTE

O grande aprendizado da vida. Saber viver o agora, o momento. Para Eliseth, a experiência musical afeta o mundo nem que seja por alguns minutos. “A música convida a viver o presente, a fazer o exercício da presença, e este exercício termina quando ela acaba e cada vez que a música é escutada novamente, oferece uma outra experiência, diferente, porque já é outro momento a ser vivido, outro agora”.

 

ESCOLHA BEM O REPERTÓRIO

Cada música, um momento e uma emoção diferentes. Você sabia que uma mesma composição, quando interpretada por artistas diferentes, mesmo que eles mantenham o mesmo arranjo, pode desencadear emoções humanas distintas? É o que a Drª Eliseth Leão afirma, por isto, o cuidado na seleção do repertório, cada detalhe é importante.

 

A IMPORTÂNCIA DA SEQUÊNCIA MUSICAL

“É importante saber como abordar as emoções e sensações mesmo através da música. Em um ambiente triste, por exemplo, não podemos chegar com uma música muito alegre. Temos que começar com uma composição com a qual a pessoa se identifique e gradativamente ir trocando para músicas mais alegres, ajudando a mudar o humor”, explica.

 

COMO ALIVIAR A DOR

Cada música tem uma nova proposta e a pessoa pode ou não entrar em ressonância com ela. Os pacientes com dor crônica vivem uma experiência singular de perda da qualidade de vida, causada pela incidência da dor e, por esta razão, precisam de um repertório ainda mais especial, explica Eliseth, e quando entram em sintonia com uma música podem mudar de foco. “Desta forma, a música passa a ser um estímulo que compete com o estímulo da dor”, diz.

A sensação de prazer proporcionada pela música ainda tem o benefício de ajudar o organismo a liberar endorfinas, que são analgésicos naturais do corpo, e que também amenizam a dor.

 

DÁ PARA MEDIR A DOR?

Infelizmente, não. A dor é uma experiência subjetiva, de modo que não tem como verificar objetivamente se uma música faz a dor aumentar ou diminuir. Mas existem formas de avaliação que permitem nos aproximarmos da experiência dolorosa do outro. “Nas pesquisas, trabalhamos com a observação do comportamento dos pacientes e de alguns sinais fisiológicos para poder entender se há ou não uma melhoria do bem-estar do paciente”, comenta.

 

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MÚSICA COMO RECURSO COMPLEMENTAR

“A música é um recurso a mais dentro do arsenal terapêutico e seu uso deve ser criterioso, ela não pode ser considerada como um recurso único no tratamento, mas sim como um recurso complementar”, explica. Ainda assim, o uso da música vai além do que já é comum na reabilitação e no treinamento em ambiente hospitalar, pois ela ajuda a restaurar o equilíbrio e o bem-estar, além de promover a comunicação – tanto entre as pessoas quanto consigo mesmo. “Acredito que o grande ganho que a música traz é que ela resgata o que a pessoa tem de saudável”, completa.

 

AOS PACIENTES EM COMA

O trabalho com música para as pessoas internadas em coma normalmente são mais terapêuticas para a família que para o próprio paciente. “ A verdade é que não se tem certeza se o paciente está ou não ouvindo o som ambiente, de modo que o ideal, neste caso, seja usar músicas que a pessoa já gostava de ouvir antes de entrar em estado de coma”, sugere Eliseth.

 

TRATAMENTO NO HOSPITAL, NA CLÍNICA E EM CASA TAMBÉM

A música como cuidado de saúde não precisa estar restrita ao ambiente clínico-hospitalar. Em casa, o ideal é escutar músicas que agradem o gosto pessoal, mas que não sejam apenas para entretenimento, como as que tocam nas rádios populares. “Eu particularmente acredito que o repertório erudito é capaz de promover reflexões importantes para o autocuidado. A ideia aqui é separar dez minutos por dia que seja para ouvir uma música erudita e tentar entender o que sente, se gosta ou não, por quais motivos, que imagens a música evoca entre tantos outros sentimentos”, fala Eliseth.

 

A música pode ajudar enfermos e não enfermos. É preciso sim separar mais tempo do dia para se dedicar a ela e seus benefícios. Como diz o ditado: Quem canta, seu males espanta.

A conversa com a Dra Eliseth foi muito interessante, mas ainda está longe de esgotar o tema. No dia 28 de novembro ela irá apresentar a palestra música e saúde, quando irá contar mais detalhes de suas pesquisas e de como a música pode nos ajudar a conseguir mais bem-estar para as nossas vidas. Em breve você poderá conferir mais informações sobre o tema aqui.

 

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